Chegando: 16-04-2008

Olá

O dia 14 amanheceu chovendo em São Paulo. Isto geralmente significa bastante trânsito, então pensei em ir para o aeroporto mais cedo para evitar problemas. Meu irmão chegou na casa da minha avó, daí almoçamos. Depois de dizer tchau pra todo mundo, saí com meu tio para o aeroporto em torno das 13h. Pegamos só um trânsito lento na Av. 9 de Julho e nada mais, chegamos no aeroporto em uma hora, ou seja, cedo até demais. Fiz o check in bem rápido sem filas, declarei o notebook no muquifinho que é a Receita Federal do aeroporto e zanzei um pouquinho com meus tios. Aí já estava entendendo bem melhor como a viagem ia funcionar, o que deu uma tranquilizada boa. Passei pela imigração sem problemas e andei bastante no free shop e nas áreas de embarque. Devo dizer que o free shop consiste num punhado de lojas que vendem bugigangas, e acho que a única coisa que compensa comprar lá é perfume e bebida (Johnny Walker 12 anos por US$ 33, em torno de R$ 55). De qualquer maneira, tudo é bem organizado, e fiquei realmente impressionado com isso.

Cansei de esperar e entrei no avião lá pelas 18h. O avião era um Boeing 777-200, e parecia muito bom. Tinha 3 fileiras de poltronas com 3 poltronas cada. Sentei numa janela da esquerda. Felizmente o lugar ao meu lado estava vazio, o que deu bem mais espaço durante o vôo. Aparentemente, ninguém da tripulação falava português, só inglês e uma outra língua que, depois de um tempo, fui descobrir que era holandês. Decolamos uns 20 minutos atrasados, e a decolagem foi bem legal, embora sem muitas surpresas (nem trepidou nem nada quando decolou, bem sem emoção). Uma vez no alto, perto dos 35000 pés, a velocidade média é de 900 km/h, e a distância era de uns 10 mil quilometros. Fiquei olhando o controle remoto usado pra controlar a tela (cara, esse controle remoto tem até um leitor de tarja magnética; daí você usa o próprio controle como telefone e depois passa o cartão de crédito pra pagar a conta [inimagináveis US$ 5.90 por 30 segundos]. Fora isso tinha as funções de filme, TV [programas gravados, claro], músicas, jogos [daí o controle remoto virava um joystick], diário de bordo e alguns outros) e comi um peixe de jantar. Um peixe não, 1/20 de peixe, porque veio tão pouco que eu acho que compraram duas postas de cação pra classe econômica toda. Assisti O Caçador de Pipas e não consegui dormir, então tirei algumas fotos, ouvi música, fiz 55549 pontos no Tetris e fiquei esperando. Acho que durante toda a noite dormi uma hora. Quando estávamos sobre as nuvens e era bem de noite, só com a luz da Lua (que ilumina muito! Muito!), percebi como era perigoso estar naquela altura inventando de voar (pessoas, claro, não foram feitas para voar), daí até assustou um pouco. Amanheceu, passamos sobre Portugal, Espanha, França, Bélgica e enfim Holanda. Quando o avião desce, dá uma vertigem forte, impressionante. Aterrissamos (e nesses últimos momentos eu lembrei de novo do perigo que era brincar de voar) e em torno das 11h (GMT +1) cheguei no Schinphol Amsterdam Airport, que é grande, muito grande mesmo. Se não estou enganado são 5 grandes pátios e acho que mais de uma centena de portões. Me achei no mapa, tirei umas fotos e passei na imigração sem nenhum problema. Daí saí num lugar bem menos lotado (o pátio onde ficava meu portão de chegada estava muito lotado) e fiquei olhando os preços das coisas nos free shops. Aliás, aquilo parecia um shopping center, tal o número de lojas e o tamanho delas. Quando subi num restaurante pra poder tirar uma foto com um ângulo melhor apareceu uma funcionária pra saber o que eu estava fazendo. O aeroporto em si é muito fera, e parece que a KLM, a empresa pela qual voei, domina grande parte dos vôos dali (ela é holandesa). Uma coisa muito boa é que parecia que todo mundo do aeroporto falava inglês, um inglês bem fácil de entender.

Controle \'remoto\' bombril

Um dos pátios do Schinphol Airport, Amsterdam

Fiquei esperando na frente do meu portão de embarque, sendo que o vôo estava marcado para as 14h40. Na espera ouvi zilhões de chamadas do tipo ‘Mr. Idiot, you are delaying the flight. Please go to the gate X…’. Daí meu portão mudou de última hora, e tive que sair andando também (o que não foi um problema pois já tinha me localizado). O vôo pra Praga foi feito pela Czech Airlines num Boeing 737, bem mais simples que o outro (duas fileiras com 3 poltronas cada; fiquei na janela da esquerda de novo, um pouco à frente da turbina). Comi um lanchinho e caí no sono. Quando acordei, o avião já estava bem próximo do solo para aterrisar, então não senti o efeito montanha-russa de novo. O vôo no total durou 1h30, e acho que não atrasou muito apesar de termos atrasado uns 20 min para decolar. Saí do avião e fui seguindo as placas até chegar na esteira onde se pega a bagagem. Demorou um pouquinho mas peguei, e fui saindo, saindo… até que apareceu um cara do controle de fronteira e perguntou alguma coisa que não entendi nada. Disse um ‘english, please’ e ele falou pra passar as malas no raio X. Outras pessoas que eram da República Tcheca não foram paradas, porque estava na cara que eles eram tchecos. Passei as malas no raio X e o cara pediu pra abrir e mostrar as coisas. Isso foi uma bosta porque tive que tirar pelo menos a metade de cada uma delas, e depois foi um saco colocar tudo de novo. Feito isso, fui saindo e vi a Jenny esperando (estava na cara que era ela). Daí uma mulher que também foi parada e teve que mostrar a bagagem veio me perguntar se a imigração tcheca tinha carimbado meu passaporte. Disse que não e ele perguntou por quê. Sei lá eu porra! (Depois entendi que na União Européia só é necessário fazer um controle, e no nosso caso ele foi feito em Amsterdam). Encontrei a Jenny, que se mostrou muito simpática desde o início. Tem um inglês bem bom, dá pra entender tranquilo. Pegamos um ônibus, e depois pegamos outro, e depois um metrô e depois outro ônibus pra chegar na minha nova casa. Apesar de parecer sofrido, o caminho foi bem fácil, porque o transporte público aqui em Praga é bastante bom. Ele é baseado em metrôs (3 linhas que cruzam a cidade), ônibus e ‘trams’, que são nada mais nada menos do que bondinhos que passam nas ruas. Para usar o transporte é necessário um bilhete que permite um determinado número de baldeações e tem um limite de tempo. Quando você entra no primeiro transporte, você deve carimbar o bilhete numa máquina, o que coloca a hora que você começou a viagem. Se te pedem, você tem que mostrar o bilhete. Aposto que um monte de gente anda sem bilhete, pois não vi ninguém perguntando por bilhete em nenhum lugar. Se você anda sem bilhete válido, a multa é de 700 CZK.

Nuvem random entre Amsterdam e Praga

Chegamos em casa e vi o lugar. Parece muito bom (cama, escrivaninha, cadeira, guarda-roupa, aspirador de pó, máquina de lavar roupa, geladeira, fogão, torradeira, mesa de jantar e varal incluídos!), e vou dividir um quarto bem espaçoso com um indiano muito gente boa. O chão é acarpetado pro ambiente não ficar frio. Dentro do flat não faz frio (por incrível que pareça), pois as janelas e portas são vedadas e não passa ar quando elas estão fechadas, e tem um aquecedor à gás pra dar conta do frio no inverno. Deixamos minhas malas, e como estava tendo uma reunião do comitê da AIESEC, lá fomos. A reunião foi na Universidade de Economia de Praga. um pequeno conjunto de prédios bem massas por dentro. Era reunião de despedida do EB, então ela foi meio longa. Conheci bastante gente, e só não entendi o inglês de duas pessoas. Falei durante 2 minutos no máximo só pra me apresentar. O pessoal foi pra um bar beber depois, mas decidi ir pra casa porque no dia seguinte tinha bastante coisa pra fazer (e eu estava pregado, tinha dormido muito pouco durante os vôos). Na reunião encontrei o indiano (que se chama Vaibhav, ainda tenho que decorar este nome) e estávamos voltando pra casa. Como eu não tinha bilhete, tínhamos que comprar um no tram em que entrássemos. E quem disse que estavam vendendo bilhetes nos trams? Tentamos em 3 ou 4, mas nenhum deles tinha pra vender. Então tivemos que ir pra uma estação de metrô pra comprar, mas quem disse que sabíamos como chegar lá? Sorte que tínhamos um mapa e depois de andar um pouco no frio (que frio da porra!) encontramos a Hlavní Nadrazí (ou algo assim), que é o nome da estação. Comi uma baguete pra trocar o dinheiro por moedas e fomos lá na máquina pra comprar o bilhete. Esta estação de metrô faz conexão com uma estação internacional de trens, muito legal. Pegamos um metrô e o Vaibhav me mostrou o caminho que eu tinha que fazer pra chegar na universidade no dia seguinte, onde eu ia encontrar a Jenny. Andamos mais um pouco no frio até acharmos todos os lugares e então pegamos um metrô pra casa. Ufa, chegamos perto da meia noite e fiquei arrumando minhas coisas até perto da uma hora (minhas malas estavam feitas ainda), enquanto o Vaibhav cozinhava alguma coisa. Jantei e dormi fácil.

Hall do flat em Rajská Zahrada

Hoje acordei 8h45 e continuei a arrumar as coisas, decidindo o que colocar em cada lugar e o que deixar guardado. Às 11h15 cheguei no lugar que tinha combinado com a Jenny, depois de ter pegado metrô e tram sozinho. Ela chegou e fomos pra polícia pra eu me registrar, porque todo estrangeiro que vai ficar mais do que um período random na República Tcheca tem que se registrar em até 3 dias depois da chegada. Erramos o lugar mas depois acertamos, e tinha nego saindo pelo ladrão de tão lotado que estava (ok, nem tanto, mas tinha bastante gente). Depois de entender como aquilo funcionava, vimos que não íamos conseguir uma senha para hoje, então fomos fazer outras coisas (o registro ficou pra amanhã, tenho que encontrar a Jenny na estação de metrô Florenc às 5h30, cedinho da silva). Pra evitar comprar bilhetes individuais, compramos um bilhete que vale por 90 dias e permite fazer quantas baldeações eu quiser (ou conseguir heheheh). Custou 1480 CZK, o que dá em torno de R$ 178 (usando R$ 0.12 = 1 CZK, que é a cotação que valeu pra mim depois de trocar meus reais por coroas tchecas). Ou seja, barato se comparado com os preços brasileiros. Depois fomos nas lojas da O2 e da Vodafone, duas das três operadoras de celulares daqui. Decidi que vou ter um celular pós-pago da Vodafone, o que sai bem barato (40 minutos grátis em ligações para outros celulares Vodafone, um trocado por cada mensagem e um preço bem alto pra ligações pra celulares de outras operadoras; creio que é o melhor plano para mim, pois a Jenny tem um número da Vodafone e se eu precisar de alguma ajuda, é pra ela pra quem vou ligar). Não comprei o simcard porque precisava ter endereço fixo, e para comprovar isso é preciso antes eu me registrar na polícia. Isso vai ficar para amanhã também. Trocamos meus euros por coroas tchecas (claro que, logo após trocar, encontramos outra casa de câmbio que pagava um pouco a mais, mas não esquentei por isso =) e voltamos para a universidade para almoçar no bandejão de lá. Lá a pessoa deve escolher o prato dentre 5 ou 6 opções, e depois pegar a fila e pegar o prato depois que a cozinheira montá-lo. Era pouca comida mas era boa, um pouco apimentada mas comi sem problemas. Depois passamos no escritório da AIESEC, que fica no mesmo prédio e encontrei a outra trainee coordinator, cujo nome completamente esqueci. Lembro que ela também fala um inglês bom, então está ótimo. Fomos para minha casa e passamos num mercado, e a Jenny explicou como ele funcionava. Tudo igual aqui, exceto alguns detalhes. Quando você compra pão, tem uma máquina barulhenta pra cortá-lo (depois tento tirar uma foto). Quando você pega frutas, você coloca na balança, seleciona a fruta que você pegou e cola a etiqueta impressa no saquinho. Também tenho certeza que tem gente que coloca mais coisas no saquinho depois de pesar… Talvez haja outras diferenças, mas não reparei. Não tinha roupas neste mercado (eles vendem roupas nos mercados aqui, roupas de boa qualidade), isso vai ficar pra amanhã também. Mas as roupas que tenho são suficientes para me manter, essas que pretendo comprar são para o inverno seguinte, já que agora é começo de primavera e as roupas de frio devem estar em promoção. Comprei umas coisas e voltamos pra casa para eu continuar arrumando tudo, desta vez até terminar. A Jenny me deu um welcome kit que tinha um mapa de Praga, umas bolachinhas, um chocolate (que já era) e só. Chegaram os outros trainees deste flat, a Carolina e o Lorenzo, ambos italianos. Parece que a Carolina está de saída ainda este mês e o Lorenzo também não tarda a sair. Ela é bem gente fina e conversa muito bem, já ele não apareceu muito. Jantamos uns vegetais cozidos com atum e vim pra cá escrever. Uma coisa deste flat é que a internet está disponível no prédio, mas ninguém daqui contratou o serviço. Vi que tem um vizinho com rede wireless cujo sinal chega bem forte aqui, acho que vou falar com ele pra rachar a internet. Senão eu mesmo assino o serviço e pronto, melhor do que ficar sem.

Amanhã vou na polícia me registrar, depois vou comprar o Vodafone chip e vamos ver o que mais dá tempo de fazer. Só vou na empresa na sexta, um dia depois do esperado, pra evitar ficar super cansado. A Katarina vai me levar lá (mina com jeito de brava, tá louco… mas é a que fala inglês melhor). Até mais!

4 Respostas to “Chegando: 16-04-2008”

  1. Pri Says:

    vc lembra que antes de fazer o blog jah tava escrevendo os posts pq tinha mta coisa pra contar? Eu to fazendo o mesmo com os comentários… :S

    Putz… preciso catch up com a leitura do blog… Mas a culpa eh sua, q naum me avisou com exclusividade!!! tive q descobrir agorinha pouco (02/05 as 19h30) pelo seu nick do msn… tsc tsc…

    ou… eh mto engraçado vc se impressionando com as coisas… Falta de transito em sp, organização do free shop… E… hum… pra mim q free shop sempre foi sinonimo de perfume e bebida…😛

    ah, o q eh um muquinho? é q nem muquifinho?? :S

    eu definitiamente nunca vou ligar pra ng durante um voo de aviao…

    “o Caçador de pipas” tem impressionou e vc naum conseguiu dormir??? q dó!!

    pq a mulher implicou com vc tirando foto??

    “Mr Japonildo, your departure gate has changed. Please walk through the whole gigantic airport immediatly, or you will delay your flight”

    onibus, onibus, metro, onibus… pq praga naum eh suficientemente longe…. tem q ir morar no infinito…

    qto vale 700 CZK? *

    cozinha bem o indiano? o q ele fez? era indiano?

    *vc respondeu dpois a pergunta… :S q estranho vc…

    Ou… aih vende tipo banana por unidade??? limão por unidade???

    katarina eh a q te bloqueou no google talk???

    Nhai!!

    Saudades, japonildo!

    Se cuida!

    Logo menos vc ouve de mim de novo…😛

  2. Pri Says:

    ah sim… e esse layout ta mto pobre! da um jeito ae!

  3. Antonielly Says:

    Hahahaha!!! Que riqueza de detalhes, hein, garoto! Eu não sabia que você estava aqui na Europa também. Um abraço de Portugal à Rep. Tcheca!

  4. ..... Says:

    De repente a maneira de se ver não é realmente como é, é como aquela piada:

    Diálogo de duas formigas:
    -Qual o seu nome?
    -Fú!
    -Fú oque?
    -Fú Miga! E você?
    -Ota!
    -Ota oque?
    -Ota Fú Miga!

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