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Entendendo as coisas

17 dUTC Novembro dUTC 2008

Limpando a poeira um pouco, é a vez do blog. Dei uma lida no último post e vi que muita água rolou desde então. O motivo de tanta demora, imagine, não é desleixo: fiquei praticamente todos os fins de semana ocupado zanzando por algum lugar. Provavelmente foi o período mais ativo da minha estadia aqui. Pretendo trabalhar mais no inverno, guardar uma grana e, consequentemente, atualizar o blog com uma frequência aceitável. Eu realmente podia escrever muito mais sobre tudo, mas vou tentar não perder o foco. Se alguém terribly quer saber algo em particular, deixa um comentário e considere feito.

Primeiro, o que eu fiz: viajei, claro. Lá vai a lista:

- Terezín, uma cidade-forte que foi usada como prisão durante a Primeira Guerra e campo de concentração na Segunda. Um prisioneiro ilustre: Gavrilo Princip, assassino do arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do trono da Áustria-Hungria. Grande coisa né? Pois bem, esse ato precipitou a Primeira Guerra, então foi uma grande coisa sim! E a cidade foi projetada para ser um forte, e só depois de anos ganhou status de cidade. Manja aqueles alojamentos de judeus nos campos de concentração? Lá tinha um monte. Prisão medonha. Destaque para um vídeo que eu fiz num túnel por onde os prisioneiros eram conduzidos pra serem executados.

- Brno, segunda maior cidade da República Tcheca, capital da Morávia. Napoleão venceu os exércitos russo e austríaco a 10 km dali na Batalha de Austerlitz. Cidade pequena na verdade, fiz o sightseeing habitual. O ponto alto foi ter ido num jogo de hóquei! Véi, jogo doido esse, muito contato corporal, todo mundo bate, apanha e sofre. Teve torcida organizada de verdade durante todo o jogo (que fui descobrir depois que são 3 tempos de 20min com o disco rolando). Curti, o negócio foi bom.

- Paris… auto-explicativo. Só digo que a Torre Eiffel oferece uma vista muito massa da cidade, Champs-Elysees é uma avenida curtinha, o Palácio de Versailles não tem banheiro (mas tem um jardim gigante!) e a Mona Lisa no Louvre é um quadro bem pequeno. Sério, a cidade é incrível, tudo é grandioso e imponente, ostenta muito da riqueza e poder que o país teve no passado e, em menor grau, ainda tem hoje. Destino certo se você gosta de cultura e charme. A linha rosa na Igreja do Santo Sulpice, mencionada no Código da Vinci, não tem nada de pagã (e ainda me ajudou a achar a direção no mapa!). Detalhe: ninguém achou ruim por eu falar inglês, e praticamente todo mundo sabia falar também. Tem uma super rede de metrôs (parece que a maior do mundo), super fácil se deslocar. Estranhei que o metrô tem pneus mas tudo bem. Tinha muitos negros na cidade, fiquei surpreso. Algumas pessoas me paravam pra pedir informação, então eu me passaria por francês fácil fácil. Foi o último fim de semana com sol que tive.

- Dresden, capital da Saxônia na Alemanha, Como a URSS estava dando um banho no Hitler no fim da Segunda Guerra, parecia que os americanos e ingleses eram uns inúteis. Pra mostrar seu poder de fogo, escolheram Dresden pra bombardear, detonando a cidade. Acho que tem a paisagem com rio mais bonita que eu já vi (rio Elba). Fazia parte da Alemanha Oriental, mas meu, a cidade, apesar de pequena, é um brinco. De passagem, tem uma comunidade gigante de estudantes.

- Berlin… auto-explicativo de novo. Os destaques foram ver o Memorial do Holocausto, restos do Muro de Berlin (que na verdade era tipo um corredor), e um portal lá cujo nome fugiu agora. O que atrapalhou foi o tempo e o horário de verão ter acabado, daí a noite começava às 17h. Incrível como os preços são baixos, comprei o suco de laranja mais barato do mundo num mercado (1.19 euros por 1.5 litros). Referências à Segunda Guerra everywhere. Passei em frente ao Congresso Nacional e depois fui num lugar com umas fotos daquela área durante a guerra, impressionante como tudo ficou detonado. Praticamente tudo é moderno, já que quase nada ficou de pé depois de 1945. Sistema de transporte metrô+trem+ônibus+tram perfeito, com uma linha de trem em forma de anel circundando toda a cidade, muito handy. Não testei muito o inglês das pessoas, mas tive a impressão de não ter problemas.

- Ostrava, terceira maior cidade da República Tcheca. Na verdade, nem visitei a cidade, fiquei 4 horas no trem pra ir numa rua cheia de clubs e pubs e voltei num trem de madrugada (mais pra lá do que pra cá heheheh). Mas entra pro currículo também =)

Fora isso, outras coisas aconteceram. Fui numa conferência da AIESEC e pude pensar numas boas coisas pra se fazer no ano que vem, só preciso dar uma refinada nos planos. Começou a esfriar e fiquei doente morrendo, mas melhorei já. Cansei da comida porcaria e agora eu cozinho de noite pra ter pelo menos uma refeição decente no dia. Entro mais cedo no trabalho pra sair mais cedo e evitar a depressão de trabalhar às 17h com tudo escuro já (agora é noite às 16h40). Li um livro de psicologia (valeu Ju!) que, apesar de lembrar Brave New World, trouxe alguma esperança. Talvez não esperança, mas um sentimento de que o mundo, se hoje ruim, poderia ter sido um bom lugar. Outra coisa boa que aconteceu – talvez a melhor em muito tempo – foi que tive uma brilhante idéia que explica absolutamente tudo o que se conhece, traz explicações pras questões mais densas e alívio para a mente. O único detalhe (que uma vez entendida a idéia, torna-se irrelevante) é que ela não vai funcionar pra você…

Ah, não falei do trabalho: tá apertado! Agora acho que estou pegando o jeito e começando a fazer o Flex fazer o que eu quero exatamente, então as coisas tendem a engrenar. Trabalho não tem sido minha preocupação, nada tem sido minha preocupação na verdade – eu aplico a revelação mencionada acima e tudo fica lindo.

Próximos planos: Pete Sampras vem fazer um jogo de exibição e eu vou no meu primeiro jogo de tênis – que estréia! Vou estudar espanhol de verdade porque caiu a ficha de que isso é importante afinal e que eu posso curtir. E vou passar meu Natal em Londres!

É isso, até mais!

P.S.: shame on me, preciso colocar as fotos no álbum…

Um mês depois…

21 dUTC Setembro dUTC 2008

Olha quem tá aí de novo…

Nesse mês muita coisa rolou, vou fazer um resumão bem rápido:

- acabou o projeto da Áustria! O bom Deus agora me colocou num projeto pra um banco tcheco. WebServices + Flex é o que rola. Começo de projeto com pouca coisa definida, tenho ficado meio à deriva. Estou alocado no cliente, fui a primeira semana que nem gente mas agora já uso as mesmas roupas de sempre. Ambiente novo, boas perspectivas por enquanto. Almoço ruim, vou começar a comer mais em casa.

- visitas: hospedei por uns dias uma alemã via CouchSurfing, muito gente fina a garota. Diversão num sábado ensolarado com direito a cruzeiro no rio Vlatav. Depois o Anderson – amigo do colegial e mais tarde de São Carlos -, que estava zanzando em Dresden, deu uma passada em Praga.

- viagem: fui pra Amsterdam e Bruxelas! Pegamos (Aline e eu) o avião numa sexta pra Amsterdam, chegamos na casa do nosso host quase meia noite depois de alguns apertos. Andamos de bike (cidade feita pra bike) num sábado meio chuvoso através dos canais tortuosos por uma porção de lugares (destaque para a casa da Anne Frank). Andei até cansar no red light district, um lugar insano numa cidade sem lei. Domingo completamos o tour indo num moinho e pegamos um trem pra Bruxelas, chegando a tempo de filar uma macarronada de outros guests da nossa host. Segunda andamos todo o centro dessa cidade de gente estressada (buzina come solta) e na terça fomos no Parlamento Europeu e no museu de Comics (exposições do Tin tin e Smurfs) pra encerrar, com direito a batata frita e chocolate. Trem de volta pra Amsterdam pra pegar o voo de volta pra Praga. Fatos: nas duas cidades, um monte de gente fumava maconha que nem uma chaminé. Qualquer peão na rua fala inglês que era uma maravilha. Schengen funciona: ninguém checou meu passaporte nem nada.

- haircut: um dia antes de viajar fui procurar alguém que falava inglês pra cortar meu cabelo. Acabei num salão em que ninguém falava inglês (claro!) e a tradução foi feita por uma cliente passando por ali. Até que ficou bom, e facilitou pra cuidar. Só pra esclarecer, continua comprido, meio que aparei as pontas (mais, na verdade).

- frio: assim que saímos do avião deu pra ver que o tempo tinha virado. Começa o outono arrepiando, fui comprar roupas pra dar uma segurada.

- academia: devido ao frio (da porra), não dá mais pra correr no campo aqui perto, o jeito foi entrar na academia. Amanhã começa essa nova rotina. Vou passar a comer melhor (ou morrer, porque do jeito que tá eu não aguento ir malhar heheh)

- fotos: fotos upadas no álbum, ainda sem os devidos comentários. Quando eu criar coragem, eles estarão lá.

- viagem de novo! Próxima parada: Paris. Recomeça a saga de arranjar couch. Melhor dar uma estudadinha em francês…

É isso, até mais!

Plzen e o fim próximo…

24 dUTC Agosto dUTC 2008

Quem diria, previsão do tempo funcionou e fui pra Plzen no último domingo. Cidade legalzinha, em torno de 200 mil habitantes, cidade de estudantes à la São Carlos, seu orgulho é a cerveja Pilsner Urquell (cerveja pilsen chama assim por causa dessa cidade). Bonitinha, limpa, transporte organizado, pouca gente nas ruas num domingo em época de férias. Poucos pontos turísticos, verdade, mas ótima para amantes da natureza. A Aline que mora lá bancou a guia. Além da Catedral de São Bartolomeu e a Sinagoga (putz, só no final me liguei que mesmo os visitantes tinham que usar quipá :S), tem uns lagos ao norte que são show de bola, é chegar e ficar ali nadando. Ou então sair andando nos bosques ao redor. Só faltou ver o Museu da Cerveja, que depois descobrimos que precisava chegar na hora certa do tour em inglês. Valeu a pena com certeza, ainda volto lá.

Na quinta teve uma apresentação de balé numa fonte famosa – Krizikova Fountain – e fui lá conferir. Muito legal, uma fonte com uns efeitos luminosos, fogos de artifício, tudo sincronizado com a música. Interpretação muito interessante do Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky. Fiz uns vídeos, falta só conferir se ficaram bons pra postar.

Uma coisa muito tosca que eu tinha esquecido de mencionar a respeito das viagens pra Bratislava e Budapest: nos dois ônibus que pegamos (Praga – Bratislava e Budapest – Praga) a gente ficou parado uns 10 minutos no posto de gasolina. O ônibus parou do lado da bomba e o motorista desce pra encher o tanque! Cara, que absurdo! Não era parada da viagem, de todo mundo descer, esticar as pernas, comer alguma coisa e embarcar de novo. Ficamos preso dentro do ônibus vendo o motorista enchendo o tanque! Nem adianta falar que só uma companhia faz isso pois os ônibus eram de companhias diferentes. E parece prática comum, vimos outros ônibus fazendo o mesmo. Absurdo!

Comecei a fazer uma coisa útil: tem um campo aqui perto de casa e comecei a correr! O começo foi doloroso, mas agora já consigo correr 12 minutos (o dobro de quando comecei heheheh)

Se Deus ajudar essa é a última semana no projeto maldito. Cara, aprendi a detestar a Áustria com esse projeto.

Criei vergonha na cara e upei todas as fotos que faltavam. Comentei o que achei que valia a pena.

É isso, até mais!

Bratislava e Budapeste

16 dUTC Agosto dUTC 2008

Não, não morri não viu. Só tive um período bem ocupado e sonolento. Sonolento ainda estou, mas vamos lá.

Viajei! Fiz minha primeira viagem internacional a lazer na Europa! Devo dizer que gostei demais, e só fico mais incentivado a viajar de novo e de novo por aqui. Dessa vez a viagem foi relativamente perto, mas ainda muito interessante.

Primeiro, vou explicar: tirei uns dias de folga no trabalho pra poder aproveitar melhor. Usei o CouchSurfing (www.couchsurfing.com) e contatos da AIESEC pra poder achar lugares para pernoitar. Fomos para Bratislava – capital da Eslováquia – e Budapeste – capital da Hungria. Sim, ‘fomos’, eu e a Aline, trainee em Plzen. Simplesmente ótima companhia, pessoa interessantíssima, nos demos super bem e viajar com ela tornou tudo mais agradável. Sou um cara de sorte.

Bratislava é uma cidade pequena, em torno de 500 mil habitantes. O centro histórico é bem reduzido, então andamos vimos tudo num dia. Tinha ouvido falar que Bratislava não tinha nada pra ver, e isso é só meia verdade; a cidade é interessantezinha sim, só não é tão rica culturamente quanto outras cidades por aqui. Engraçado foi que encontramos 10 casais se casando (sim, nós contamos), tinha casamento em todas as igrejas do centro histórico. Tinha nego casando com vários convidados mas também tinha casal sozinho com os padrinhos na igreja, parecia até casamento escondido hehehe. No outro dia fomos pra Devin, que foi um forte para o império da Áustria-Hungria e depois, para os comunistas. Fica na junção do rio Danúbio com o rio Morava, muito massa o encontro dos dois. Em Bratislava ficamos na casa da Tina, uma moça super hiper gente boa que eu achei no CS. Ela ajudou a gente com tudo, não podia ter sido melhor anfitriã. O Szabi, húngaro também do CS, estava surfando no sofá dela, então ficamos os três lá. Gente fina o cara também, demos muita sorte. Provei da cerveja eslovaca, bem leve e saborosa, mas mais cara que a cerveja tcheca. Após a visita ao castelo da cidade e a um monumento para os soldados mortos na II Guerra Mundial (tivemos que subir lá na pqp mas tudo bem), fomos pra estação de trem rumo a Budapeste. No começo da viagem não tinha lugar livre, mas eu dormi em cima de uma mala alheia e ficou tudo certo hehehe. Infelizmente não tirei foto da menina que estava na nossa cabine, tinha uma cara de doida que meu!

Budapeste foi outro esquema. Cidade grande, trânsito, barulho, um monte de gente. Sacamos uma nota de 10 mil florins, impressionante (mas vale só 100 reais). Fomos pra casa do Eduardo, da AIESEC Ribeirão Preto fazendo intercâmbio na Nokia, ele foi nosso host. Rep bagunçada como toda rep, a única coisa estranha foi ter que passar pelo banheiro pra ir pro quarto do cara. Segunda acordamos cedo e batemos o recorde mundial de andança, saindo às 8h e voltando às 23h (estranhamente eu tinha previsto isso logo que saímos). Muito legal a cidade, arquitetura peculiar do período que o país era muito rico, no século XIX, antes de tomar uma chacoalhada na I Guerra Mundial. Em Budapeste foi inaugurada a primeira linha de metrô da parte continental da Europa, em 1896 (hoje a linha amarela é um metrô de dois vagões bem barulhentos). Fomos no castelo, catedral, spa e em quase todos os pontos do mapa. De noite tiramos umas fotos do Parlamento (réplica do parlamento inglês) e da Praça dos Heróis, monumento para os heróis húngaros. By the way, húngaro é uma língua muito estranha, com conexões com finlandês (sim!, apesar de estar tão longe). No outro dia visitamos o que faltava – incluindo um forte no topo de um monte – e saímos correndo para achar o ônibus pra voltar (pô, o ônibus não saia da rodoviária, daí foi pressão achar).

Curti muito, não sabia que viajar podia ser tão massa. Recomendo!

Resto da semana foi fazer umas tarefinhas bobas no trabalho – super cansado, nem tinha como ser produtivo. Fim de semana que passou, viagenzinha no interior do país, Kutná Hora, cidade que foi importante por ser uma mina de prata. Nada super, mas ainda assim interessante. O clima não ajudou muito, e agora a tendência é ir esfriando já. Também assisti o filme do Batman com legenda tcheca num cinema muito bom.

Nessa semana o Guillaume do Canadá, couchsurfer, ficou aqui em casa. Gente fina, valeu a pena. Amanhã vou confiar na improvável previsão do tempo (choveu ontem e hoje, mas tá escrito que vai ter sol amanhã) e ir pra Plzen bancar o turista.

Fotos soon! (cara, que vergonha não postar as fotos no álbum…)

É isso, até mais!