Posts de Maio, 2008

Áustria!

17 dUTC Maio dUTC 2008

Essa foi uma semana diferente. Eu realmente não esperava estar escrevendo agora, sábado, eu esperava estar na conferência da AIESEC. Mas as coisas realmente mudaram de rumo.

Durante a semana meu chefe estava negociando um contrato com um cliente austríaco. Na quinta-feira ele disse que tinha fechado negócio e que começaríamos no dia seguinte, e que eu ficaria alocado no cliente. Checamos a viabilidade da minha estadia já que meu passaporte não é europeu, mas isso não foi problema. Sexta saímos cedinho e viajamos 5 horas de carro (em alguns trechos via Autobahn) pra Seewalchen am Attersee, uma cidadezinha de não mais do que 5 mil habitantes na beira de um lago. E é isso, vou ficar num hotel na Áustria por duas semanas pra cuidar desse projeto. Depois volto pra Praga e venho de novo pra mais duas semanas aqui. Mero detalhe que isso impossibilitou minha ida à conferência.

Acabei de dar uma andada pra conhecer o lugar. É tudo muito bonito, parece filme daquelas vilas na beira do lago que ficam cheias de turistas no verão. Tem várias ao redor do lago, e eu andei por duas hoje (a onde eu estou e a do lado). Creio que logo vou me encher do lugar, é lugar pra turista aqui, não pra trabalhar. O hotel é legalzinho e o dono tem falado num inglês razoável comigo.

O projeto em si é muito louco, mexe com GPS, Java, sistemas embarcados, tracking de veículos e um monte de coisas. O problema é que os caras querem tudo implementado e funcionando em um mês! Peguei a documentação de mais de 40 páginas e vou dar uma olhada no fim de semana, bem como as tecnologias que vamos usar. Dá pra ver que os negos tão nervosos com isso. É bom que profissionalmente as pessoas sejam objetivas, mas aqui elas não estão nem aí pra nada, só pra ganhar dinheiro. E o povo aqui tem uma frieza incrível, os caras são um iceberg quando estão conversando com você.

Ah, um detalhe: odiei a língua alemã. Não entendo uma sílaba do que os negos falam, sem falar que eles usam a letra grega beta e ela é lida como ss. Vai entender… Um problema é que meu computador tem Windows em alemão.

Outra coisa que aconteceu: hoje me ligaram pra perguntar da conferência (falha de comunicação interna no CL). Atendi o telefone sem querer e depois desliguei. Como meu número está em roaming, debitaram não sei quanto dos meus créditos :( Não atendo mais nenhuma chamada aqui…

Uma vez aqui, a intenção é aprender e aproveitar. No fim de semana que vem, 24-25/05, pretendo ir pra Viena. Estou procurando um lugar pra ficar lá.

Até mais!

Pictures!

12 dUTC Maio dUTC 2008

Um dos problemas de ficar sem postar por um longo tempo é que você (no caso, eu) esquece as coisas. Pra mim a semana que passou não foi nada de mais. Continuei no mesmo projeto (mudei hoje, finalmente) e fiquei estudando umas coisas de Java.

Uma evolução: fui patinar na quinta, dia 8 (feriado de término da Segunda Guerra Mundial), e melhorei pra caramba. Talvez porque o lugar tinha o chão muito mais regular (de brinde, conheci esse parque muito mais massa do que o anterior, apesar de ser beeem longe), mas o fato é que eu cai poucas vezes e fiquei sobre as 8 rodas por períodos realmente longos =D Depois fui em Visehrad, mas fui tipo enganado… Hrad é castelo (ou um sufixo que designa castelo, sei lá), mas lá não tinha castelo nenhum, só as ruínas. Anyway, o lugar é massa.

No domingo banquei o turista e andei praticamente por todo o centro da cidade. Foi bom que agora eu estou sacando bem mais as direções, eu que sempre tive dificuldade em me orientar. E fez sol, ultimamente tem feito bastante sol, tem ficado quase nos 20 C. O ruim é o vento… Mas qualquer hora vou trabalhar só de camiseta…

Ah, também upei um bilhão de fotos no meu álbum do picasa (não adianta tirar fotos e morrer com elas…). Finalmente criei coragem de logar no Windows (aaarrrrggghhhh) pra fazer isso. Dê uma olhada na seção Blogroll à direita. O tour de domingo está todo lá, mais fácil do que eu descrever os lugares aqui.

Fui no mercado e achei pão francês. Pô, fui mó animado pegar… mas o preço desse pão é o triplo aqui! Vai se danar, peguei o outro pão mesmo. Aliás, arroz aqui é caro pra caramba, e embora batata não seja tão barato (já vi lugares mais baratos no Brasil), essa é a opção de carboidrato que vou adotar.

Este fim de semana tem conferência da AIESEC. Minha primeira conferência, não sei bem o que esperar… é ver pra crer. Depois eu conto o que rolou.

É isso, até mais!

P.S: assim que sobrar saco eu crio/acho um layout personalizado para o blog. Está na toDo list com uma prioridade razoável até.

Common Week

4 dUTC Maio dUTC 2008

Acho que uma semana normal por aqui deve ser parecida com esta última. Não tive nenhuma novidade no trabalho, além da mudança de projeto. Não emendei o feriado e fiquei com a quinta livre, mas sobrando no meio da semana. Carolina se mudou para um flat mais próximo do centro da cidade, fui lá ajudar a levar as coisas (praticamente dobrou o número de coisas que trouxe da Itália há dois meses…). Foi bom pra ver como são outros apartamentos por aqui – eles parecem basicamente a mesma coisa, mas serviu pra confirmar isso. Ela mora num prédio evidentemente construído no comunismo, pois há uns 10 prédios iguais um do lado do outro. Voltando de lá, achei a parada de tram mais próxima de casa, e dei uma andada ao redor. Conclui que também moro um flat ‘comunista’, pois todos os prédios são iguais (fiquei perdido para voltar). Antes eu já tinha saído pra procurar essa parada, mas andei pro lado errado e achei um clube de squash e tênis de mesa. Valeu a pena.

Vista da parada de tram Lehovec

O meu é bem parecido...

No sábado fui numa igreja famosa por abrigar o Menino Jesus de Praga. A igreja não estava muito lotada, foi bom pra tirar umas fotos e gastar com souvenirs. Fiz meu registro na biblioteca municipal, porque cedo ou tarde vou sentir vontade de ler alguma coisa. Depois fiquei zanzando na Wenceslau Square e passei em alguns shoppings e outras áreas comerciais. O sanduíche do Subway (de 15 cm) custa quase 100 Kc (~ R$ 10), achei caro. O útil mesmo foi sacar como que funciona o transporte aqui, porque das outras vezes eu tinha saído acompanhado e não estava me preocupando em como chegar nos lugares. No meio do caminho achei a Dancing House, um prédio curvo famoso também.

Dancing House

Já estava esquecendo: essa semana que consegui conexão com a internet aqui do flat. Tive que fazer um acordo com o vizinho de cima pra ele liberar acesso à rede wireless dele. Assim não tenho que assinar serviço e comprar um roteador.

Hoje o dia está sendo inócuo. Essa semana tem projeto novo, tomara que seja algo bom. Até.

Working week: 27-04-2008

1 dUTC Maio dUTC 2008

Agora que tenho uma rotina mais ou menos estabelecida, não vou escrever todo o dia. Seria muito chato saber que todo o dia eu acordei, tomei café da manhã, peguei o metrô para o trabalho, trabalhei, almocei, trabalhei, voltei de metrô. Então vou postar só o que aconteceu de mais relevante.

Na quarta depois do trabalho fui com o Vaibhav para Cerny Most, uma estação depois da minha, pois lá há um shopping e eu queria comprar roupas de frio e umas botas. Porém, aquilo de maneira nenhuma pode ser chamado um shopping, pois é tão somente um corredor com algumas lojas e um supermercado. Uma decepção… As lojas eram bem fundas, tinham 3 ‘ambientes’, e o mercado era bem grande. As lojas fecham às 21h nos shoppings aqui, parece que isso não varia muito. Foi bom pra ter uma idéia dos preços, apesar de eu não ter encontrado as roupas que queria (tinha lojas da C&A e H&M basicamente). O mercado é bom e vai ser útil quando eu me cansar do que tem aqui perto de casa. Comi no McDonalds e tive que pagar 5 Kc pelo ketchup, um absurdo total.

Na quinta, novamente com o Vaibhav, fui para o extremo oposto da linha amarela de metrô, no shopping que fica em Zlicin (lê-se zlitchin, e não pode colocar i depois do z pra formar uma sílaba). Ali a coisa foi diferente, era um shopping maiorzinho. Tinha um mercado e algumas lojas de marcas, e no geral tudo era mais caro. Procurei mas só pude encontrar roupas de meia estação, então não comprei nada de novo. Tinha cinema no shopping, embora aqui parece que as pessoas não vão muito em cinemas pra se divertir. Comi uma comida chinesa bem apimentada num restaurante bem simplezinho e tomei o pior milkshare da minha vida no McDonalds. Desencanei de comprar roupas e voltei pra casa. Pelo menos em Zlicin o shopping tinha cara de shopping…

Sexta-feira fui me encontrar com a Jenny no correio para mandar umas coisas para a Estônia. Depois de arranjar uma caixa pra colocar a encomenda, foi bem fácil e barato, considerando que foi um envio internacional. Ela e o Vaibhav começaram a ter aulas de espanhol com a Bárbara, e fui junto pra ver o que podíamos fazer depois. Dei umas risadas durante a aula vendo-os ter dificuldades com uma língua que para nós é bem simples de ‘pegar’. Do mesmo modo que as línguas eslavas são horríveis para nós, as línguas latinas são alienígenas para eles. Depois da aula a Jenny foi embora e saímos para tomar uma cerveja. Dessa vez provei uma cerveja escura, muito boa e barata. Daí a Bárbara deu uma de guia turística e mostrou o centro velho da cidade pra gente. Fomos na praça principal onde tem o relógio astronômico e o castelo da cidade, depois passamos no bairro judeu e seguimos o rio Vltava até a ponte Charles Bridge, que está lá desde 1300 e bolinha. Tudo era muito perto, devemos ter andado umas três estações de metrô e pra mim não andamos quase nada. Era perto das 11h e tudo estava muito cheio de turistas, todos observando a cidade a noite, que fica muito bonita quando iluminada. O bom é que dava pra ouvir todas as línguas, posto que há pessoas de diferentes nacionalidades. Não tirei fotos, mas passarei por lá mais vezes. Pegamos o último metrô para chegar em casa.

Como chegamos tarde na sexta, acordei 13h no sábado. Só deu tempo de comer alguma coisa e acompanhar o Lorenzo e o Vaibhav até o centro, para ir na biblioteca. Até a biblioteca tem algo turístico, é uma pilha de livros formando uma torre, com espelhos em cima e embaixo. Quando você olha por dentro da torre, parece que ela não tem fundo. Há alguma literatura em inglês na biblioteca, e ela fica num prédio construído em torno de 1920, com arquitetura característica. Não fiz minha carteirinha (chegamos tarde, a biblioteca estava fechando) mas isso é uma questão de tempo. Andamos um pouco no centro, e estava de novo lotado de turistas (desde sexta tem feito um solzinho, e isso anima o povo e os turistas a sair). Fiquei treinando pra falar Václavské Námesti (lê-se Vatslavske Namiesti), que em inglês é a Wenceslau Square, onde fica o museu. Comprei um livro de inglês numa livraria muito massa (quatro andares, dois subsolos) e voltamos. Passei no mercado para comprar as coisas para hoje…

Poço da biblioteca municipal

Hoje acordei cedo, preparei a mochila e fui pra Hlavní Nádrazi, estação de metrô de onde saem os trens. Encontrei o Viktor, da Ucrânia, e a Bárbara, e fomos para uma cidade a 33 km de Praga cujo nome completamente esqueci. Lá tinha um castelo e tipo um canion chamado Welka Amerika, com um lago no fundo, um cenário bem paradisíaco. Tirei bastantes fotos e apreciei um típico vilarejo antigo, desses que a gente vê em filme, e posso dizer que é muito interessante. Chegou um pessoal do LC de Pilzen, e encontramos com gente do México, Alemanha, Polônia, Áustria e Brasil (a Aline). Andamos morro acima e achamos o lugar. Almoçamos e fomos ’sightseeing’, aproveitando a paisagem (fez calor hoje também). Depois de uma cerveja, corremos para pegar o trem de volta e assei umas batatas pro jantar, enquanto lavo a roupa (está na máquina ainda). Amanhã recomeça a rotina. Até mais!

Canion principal

Welcome Party: 22-04-2008

1 dUTC Maio dUTC 2008

Ontem foi um dia cheio, por isso só estou escrevendo hoje. Para ir para o trabalho, sigo pela linha amarela de metrô até Florenc, e depois troco para a linha vermelha e desço em Kobylisy. Claro, no primeiro dia desci do lado errado da estação e tive que sair perguntando onde era o teatro, meu ponto referência. Felizmente, não cheguei atrasado, e na empresa ninguém liga muito pra isso. Meu chefe é o Martin, e é assim mesmo que eu o chamo. Ele fundou a empresa há 6 anos junto com o irmão, e hoje a empresa tem em torno de 15 funcionários (alguns ficam alocados em clientes). Como o Martin mesmo disse, a empresa faz virtualmente de tudo, só depende do que aparecer. Depois criar meu login e configurar algumas coisas na minha máquina (que roda Ubuntu), conversamos sobre o que vai ser feito. Primeiramente vou fazer uma migração de uma aplicação bancária (Ceska Sporitelna, sem diácrito) que roda em BEA Weblogic 8.1 para a versão 10 do servidor. Isso inclui basicamente tudo, então o primeiro passo é instalar os servidores e a aplicação no servidor antigo para começar a migração. Como nunca mexi em Weblogic e o Linux é um ambiente um tanto “especial”, estou fazendo isso até agora. Meu horário vai ser flexível e tem um restaurante ali perto, com quem estou indo almoçar com os outros. A empresa parece um tanto agradável, dá pra entender tranquilamente o inglês de todo mundo e minha atividade é bem diferente das quais estava habituado. Detalhe: todo mundo entra, tira o casado e os sapatos e trabalha de sandália ou chinelo. Na hora de sair, coloca tudo de novo e sai. De almoço, frango coberto com purê de batata e queijo. Os pratos aqui são pequenos, já mencionei isso? Pelo menos não vou gastar muito com alimentação. Amostra grátis de aula de tcheco: laranja = pomeranc.

No caminho para casa passei no mercado e gastei um dinheiro básico. Passei numa academia pra ver quando custava, mas a atendente não falava inglês. Falei com um cliente mesmo, e ele disse que é 600 Kc por mês, em torno de R$ 60. Ele disse que é um preço barato, e dificilmente vou achar valores mais baixos.

Tinham marcado uma welcome party em casa às 20h30. Cheguei e atendi uma ligação beeeem longa e muito especial, adorei. Daí começou a chegar um monte de gente, e encontrei representantes dos seguintes países: República Tcheca, Eslováquia, Itália, Índia, Turquia, Hungria, Alemanha, Macedônia e Brasil (dois brasileiros vieram, o Bruno e o Felipe). Trouxeram limão mas não tinha nada pra bater e fazer caipirinha, e caipirinha na segunda-feira não cai muito bem, de modo que ficou pra próxima. Conversei bastante e depois todo mundo vazou sem deixar muita bagunça (o pessoal aqui arrumou a maior parte, principalmente o indiano). Como eu estava meio podre, não escrevi nada e fui dormir depois de bater um papo com o pessoal aqui de casa.

Hoje o dia foi bem simples: sai do lado certo da estação de metrô e lutei bastante contra o Linux e o Weblogic. Comi tipo um frango com creme de queijo e uns negócios fritos bem incógnitos e gordurosos, mas gostosos. Tentei habilitar meu telefone pra usar os serviços do Jaxtr (www.jaxtr.com), mas parece que não funcionou. Voltei pra casa e fiquei acessando a net do lado de fora do flat, pesquisando como são os bancos aqui (tenho que escolher um pra abrir minha conta mas ninguém da AIESEC soube me dar uma opinião decisiva; se fosse no Brasil eu falava ‘abre no Banco do Brasil e pronto e acabou’; e aqui cobra-se tudo, só falta cobrar pra olhar pro banco…). Vamos ver como vai ser amanhã, pretendo passar num shopping depois do trabalho para fazer compras. Até mais!

Brewery and Skating: 20-04-2008

1 dUTC Maio dUTC 2008

Quase acordei atrasado, fiquei enrolando na cama. Tomei banho e fui pra estação Andel (pronuncia-se andiel). A estação fica perto de um shopping, e provavelmente vou dar uma passada lá para procurar umas roupas, além de outros lugares que o pessoal me contou. Encontrei outras pessoas lá, um cara da Moldova que fala pra caramba e um macedônio que tinha acabado de chegar (descobri que a madre Teresa de Calcutá era macedônia, e que apesar de hoje ser um país um tanto insignificante, ele já teve bons tempos de glória). Fomos para a tal brewery, que fica bem perto do metrô. Ela produz a cerveja Staropramén, uma bem tradicional aqui na República Tcheca. Tivemos uma guia que falava inglês, assistimos um filminho e vimos a antiga cervejaria, que saiu de operação em 1997 para dar lugar a uma muito mais moderna que produz não sei quantos milhões de litros por dia. Depois provei duas cervejas, uma lager e outra que esqueci o nome mas é feito com malte caramelado. Mais uma vez, embora todos dissessem que estava muito bom, eu nunca acho cerveja bom. Mas foi interessante a visita. Então fomos almoçar num restaurante ali perto. A comida era meio cara, mas dividi um prato que era um joelho de porco assado com uns molhos tipo mostarda com um outro cara muito gente boa (Vlada, lê-se Vládia). Era boa a comida =D Depois pegamos metrô e depois tram para ir num parque patinar. O parque é muito bonito, tem umas pistas para skate e patinação, uma área verde considerável (claro, estava um pouco frio, mas tinha gente só de camiseta…). Como eu nunca patinei, apanhei MUITO para poder sair do lugar, e isso inclui várias quedas. Ainda bem que tinha bastante gente me ajudando e me dando umas dicas sobre como se movimentar e tal, tanto que nem fiquei machucado. O parque fica perto de um estádio de futebol, pois teve uma hora que deu pra ouvir a torcida comemorando um gol provavelmente. E ele fica perto do rio Vltav, dá pra ter uma vista de toda a cidade, incluindo uns castelos, o museu e outros pontos que ter uma arquitetura relevante. Fiquei aliviado quando tirei os patins e fomos numa parte mais alta do parque pra poder ter uma vista melhor. Claro, quase todo mundo mandou uma cerveja nessa hora. Mesmo as garotas aqui bebem bastante (para se ter uma idéia, 0.5 L por 28 Kc, o que dá uns R$ 2.80 por meio litro de cerveja da boa). Descobri que as cervejas servidas aqui são sempre de barril, e que as engarrafas são meio que rejeitadas. Hoje como um todo deu pra conversar bastante com o pessoal, e isso foi bom pra caramba.

Voltamos espremidos num tram (o jogo tinha acabado e estava tudo lotado), preparei outra macarronada, e fiquei conversando com o Lorenzo e o Vaibhav. Amanhã é meu primeiro dia no trabalho, e vou tirar umas boas dúvidas sobre como tudo vai funcionar. Até mais!

First Saturday: 19-04-2008

1 dUTC Maio dUTC 2008

Hoje acordei incrivelmente tarde, às 13h30. Acho que porque nos outros dias as cortinas estavam abertas, então logo que amanhecia eu acordava, mas dessa vez elas estavam fechadas, daí pude dormir sem claridade. Peguei o manual do relógio que minha mãe me deu pra aprender como usar. O último relógio digital que eu tive não tinha tantas funções, não sabia que tinham surgido recursos como sincronização automática de hora via antena e hora mundial. Anyway, aprendi a mexer em tudo rapidamente.

Meio que tirei o dia de folga hoje. Está chovendo lá fora, e não tenho nenhum lugar pra ir. Assisti um pedaço de Tropa de Elite e tomei um banhão. Acho que por causa da latitude mais alta em relação ao que estou acostumado, aqui amanhece mais cedo e anoitece mais tarde. Não tenho certeza da hora que amanhece, mas em torno das 5h já está claro; anoitece perto das 20h30. Vale lembrar que agora é primavera, e não verão, quando os dias naturalmente costumam ser mais longos.

Cozinhei pela primeira vez aqui. Fiz macarrão, que foi o que tinha comprado no mercado. Ficou bom =D e depois lavei a louça com água quente, heheheh bem melhor. Nada mais de sofrer pra lavar a louça no inverno =)

Amanhã temos uma visita a uma cervejaria (brewery). Tenho que estar na estação de metrô Andel às 11h30. Até mais!

A empresa: 18-04-2008

1 dUTC Maio dUTC 2008

Ontem eu capotei bem cedo na cama, lá pelas 20h, e acordei hoje às 7h30. Foi bom que deu pra descansar, estava com cansaço acumulado desde a viagem. Acordei, tomei banho e fui pra estação Florenc. Aqui todas as torneiras tem água quente e fria. Para abrir, você levanta a alavanca que tem em cima dela. Pra sair água quente, tem que girar pra esquerda; pra água fria, girar pra direita; no meio a água sai com temperatura ambiente, o que geralmente é frio (então girando pra direita a água fica gelada =). Muito bom isso, gostei. No apartamento tem uma banheira e uma ducha, que fica pendurada num suporte na parede pra imitar um chuveiro. A água sai bem quente, e essa era umas das preocupações que eu tinha, porque eu gosto muito de água quente.

No caminho para a estação de metrô, tem que atravessar umas ruas. Quando tem semáforo, você tem que esperar o sinal verde para pedestres, caso contrário pode ser multado. Quando não tem semáforo, você fica na faixa e OS CARROS PÁRAM PRA VOCÊ ATRAVESSAR!. Achei meio inacreditável no início, mas essa é a lei de trânsito daqui. Gostei, gostei bastante disso.

A empresa (descobri que se chama First P.F, e não One P.F como eu pensava) onde vou trabalhar fica perto de uma estação que esqueci o nome, mas fica na linha vermelha. Encontrei a Katie na estação Florenc e fomos para lá. A Katie é bastante gente fina, o que me fez pensar que ela era meio brava na verdade parece um hábito aqui: as pessoas não se despedem quando vão embora, ou se despedem muito secamente e saem andando. E também não costumam agradecer muito, pelo menos essa é a impressão. Weird people…

Meu chefe é um cara com no máximo 30 anos, embora ele tenha mencionado que fundou a empresa há 6 ou 7 anos. Ele e o irmão lideram a empresa, e suponho que deva ter em torno de 7 funcionários, uma empresa bem pequena. Parece que estiveram na Inglaterra por um tempo, e dá pra entender muito bem o inglês deles, um ótimo sinal. Me mostraram a empresa (acabaram de mudar pro atual escritório) mas não entraram em detalhes sobre qual será minha atividade inicial. Começo às 9h do dia 21, segunda-feira, e vou usar roupas comuns, nada de camisa e gravata. Dei de presente uma garrafa de cachaça envelhecida São Francisco. Nunca a provei mas parecia boa.

Voltei com a Katie para a universidade e fiquei usando a internet um pouco, tinha muitos emails para ler. Fui almoçar com o pessoal no restaurante da universidade. De novo, serviram pouca comida, então comi tudo e fiquei com um pouco de fome. Mas é barato, acho que 30 CZK quando alguém paga pra mim (dessa vez foi o Martin, ele disse que depois eu pago uma cerveja pra ele e está tudo certo =). Falei um pouco com o Martin, parece gente fina e perguntou bastante coisa, principalmente o que eu estava achando dos tchecos. Descobri que esta universidade é a maior do país, e aceita normalmente uns 4 mil estudantes por ano. Eles têm no máximo 20 horas de aulas por semana, pra poderem ter outras atividades, como empregos de meio período. Assustei o pessoal quando contei que não é raro termos 36 ou 40 horas de aula por semana nas universidades brasileiras. Ah, e aqui geralmente se falam duas línguas: tcheco e eslovaco, e quem fala uma entende a outra sem maiores problemas.

Depois de usar a internet voltei pra casa (falei tchau pra todo mundo) e comi mais um pouco. No domingo vai ter uma visita a uma fábrica de cerveja (parece que vai poder experimentar for free =). Depois tem almoço e o pessoal vai andar de patins. Disseram que no inverno nem tanto, mas no verão todo mundo anda de patins por aí.

Peguei o notebook e fiquei procurando pela casa algum lugar que tivesse sinal forte o suficiente para acessar a internet. Há várias redes sem fio por aqui, mas o sinal é muito fraco. Depois de andar um tempo, descobri um ponto na sacada que consegue se conectar com 20% do sinal numa rede. Fica bem lento, beeeem lento, mas melhor do que nada. O pior é ter que ficar na sacada, pois do lado de fora sempre está frio. Vai servir para emergências até eu conseguir uma conexão decente. Fiquei usando uns 20 minutos… o pessoal que estava no ponto de ônibus deve ter pensado que sou maluco, mas quem se importa…

Falei com a Bárbara do MC Czech Rep e ela me chamou para ir numa festa com outras pessoas da AIESEC. A Bárbara é brasileira e tem mais um mês e meio aqui em Praga, antes de terminar a gestão dela na diretoria do MC. Foi bom encontrá-la e poder falar um pouco de português, pois às vezes fico confuso falando só em inglês. Íamos todos nos encontrar num bar e depois íamos para a tal festa. No bar eu provei da cerveja tcheca, marca Gambrino, que parece ser uma bem popular aqui. A cerveja em si é boa e barata (mais barata do que água), eu é que não gosto de cerveja. Também comi um queijo frito com presunto e uma saladinha com um molho meio azedo à base de maionese, este foi meu jantar. Fiquei conversando com um ex-aiesecer que agora trabalha num banco de investimentos aqui em Praga. Resolvi não esperar a festa (acho que o pessoal ficou no bar e esqueceu que queria fazer festa) e voltei pra casa pra dormir um pouco.

Não tenho nenhum plano para amanhã. Vamos ver o que acontece. Até mais!

Ambientando: 17-04-2008

1 dUTC Maio dUTC 2008

Hoje acordei cedo, 4h30 já estava desperto. Tomei alguma coisa, me vesti até a alma (camiseta + 2 blusas + jaqueta + 2 calças + luvas + cachecol) e fui para a estação Florenc. Achei a Jenny bem rápido e fomos pra polícia fazer o tal registro. Ela me trouxe uma jaqueta de frio dela, que parecia muito boa. Só a devolvi porque ela tinha o forro rosa-choque, além de uns outros detalhes que me fariam parecer uma menininha. Tivemos alguma dificuldade para achar a polícia e quando chegamos lá era perto das 6h, e tinha sei lá, umas 200 pessoas na nossa frente (felizmente nem todas eram estrangeiros que iam se registrar). Aqui na República Tcheca os estrangeiros devem estar registrados em algum endereço, e todos devem contratar um seguro saúde válido por toda a estadia aqui. Esperamos até as 8h e a fila começou a andar. Empurrei bastante gente e passei na frente de vários, acho que isso ajudou a não demorar mais pra entrar. Subimos e pegamos uma senha, que indicava que havia “só” 45 pessoas na nossa frente. Esperamos até 12h30 meio dormindo sentados no chão. Como eu já não tinha dormido muito nas noites anteriores, você pode imaginar o estado em que me encontro agora.

Ok, fizemos o registro apesar de uns problemas com meu endereço e saímos correndo (literalmente) para pegar um ônibus. A Jenny tinha que ir para a prova (chegou atrasada e só teve 40 min pra fazer tudo) e eu só queria ir para casa. Peguei o metrô e cheguei em casa lá pelas 13h30. Comi uns sanduíches de presunto e queijo (praticamente sem diferenças em relação aos equivalentes brasileiros), arrumei umas coisinhas e fui dormir ouvindo Tears for Fears. Dormir foi fácil, mesmo com a cortina aberta nem vi nada. Acordei às 16h quando estava tocando The Animals – Talkin’ ‘Bout You, uma música bem porquinha, o que me fez acordar assustado. Arrumei tudo e fui encontrar a Jenny na universidade. Ela foi procurar o endereço do correio e eu fiquei usando a internet por uns 20 min. Havia tantos emails que só pude dar umas respostas curtas. Uma coisa estranha é o teclado tcheco: algum “brilhante” tcheco teve a idéia de trocar o Y e o Z de lugar…. e tem umas combinações de teclas para fazer as letras com aqueles símbolos estranhos em cima (símbolos que complicam toda a pronúncia, tem alguns sons que eu não consigo fazer). Como o Perdido não me mandou o endereço dele na Estônia, não pude mandar o pacote. Saímos (correndo de novo…) e fomos para o correio, a Jenny tinha que postar algumas coisas. Daí fomos na loja da Vodafone na Wenceslau Square (Václavské náměstí para os nativos) e compramos o simcard, mas tive que pegar um plano pré-pago comum, pois pra pegar o pós-pago tinha que corrigir o problema com meu endereço antes e é melhor ter um número pré-pago do que esperar corrigir e ficar sem até lá. O minuto pra outros celulares Vodafone é 2.98 CZK e pra outros é 7.12 CZK, mensagens custam 2.38 CZK independente do destino (podem me mandar mensagens for free pelo site www.vodafone.cz, escolham English Version e Send SMS no topo da página). Uma coisa que eu achei ruim é que tem um imposto chamado VAT (acho que tem em toda a Europa ou pelo menos em toda a União Européia) de 19% em cima dos preços. Todos os preços que eu colocar aqui já terão o VAT incluído (afinal, não adianta nada colocar os preços sem o imposto se eu tenho que pagar o imposto). Vou tentar ver se existe alguma coisa referente a restituição de algum imposto, mas acho difícil já que vou ficar por um ano aqui.

Václavské náměst

Amanhã vou na 1.PF pra eu conhecer a empresa. Até mais!

Chegando: 16-04-2008

1 dUTC Maio dUTC 2008

Olá

O dia 14 amanheceu chovendo em São Paulo. Isto geralmente significa bastante trânsito, então pensei em ir para o aeroporto mais cedo para evitar problemas. Meu irmão chegou na casa da minha avó, daí almoçamos. Depois de dizer tchau pra todo mundo, saí com meu tio para o aeroporto em torno das 13h. Pegamos só um trânsito lento na Av. 9 de Julho e nada mais, chegamos no aeroporto em uma hora, ou seja, cedo até demais. Fiz o check in bem rápido sem filas, declarei o notebook no muquifinho que é a Receita Federal do aeroporto e zanzei um pouquinho com meus tios. Aí já estava entendendo bem melhor como a viagem ia funcionar, o que deu uma tranquilizada boa. Passei pela imigração sem problemas e andei bastante no free shop e nas áreas de embarque. Devo dizer que o free shop consiste num punhado de lojas que vendem bugigangas, e acho que a única coisa que compensa comprar lá é perfume e bebida (Johnny Walker 12 anos por US$ 33, em torno de R$ 55). De qualquer maneira, tudo é bem organizado, e fiquei realmente impressionado com isso.

Cansei de esperar e entrei no avião lá pelas 18h. O avião era um Boeing 777-200, e parecia muito bom. Tinha 3 fileiras de poltronas com 3 poltronas cada. Sentei numa janela da esquerda. Felizmente o lugar ao meu lado estava vazio, o que deu bem mais espaço durante o vôo. Aparentemente, ninguém da tripulação falava português, só inglês e uma outra língua que, depois de um tempo, fui descobrir que era holandês. Decolamos uns 20 minutos atrasados, e a decolagem foi bem legal, embora sem muitas surpresas (nem trepidou nem nada quando decolou, bem sem emoção). Uma vez no alto, perto dos 35000 pés, a velocidade média é de 900 km/h, e a distância era de uns 10 mil quilometros. Fiquei olhando o controle remoto usado pra controlar a tela (cara, esse controle remoto tem até um leitor de tarja magnética; daí você usa o próprio controle como telefone e depois passa o cartão de crédito pra pagar a conta [inimagináveis US$ 5.90 por 30 segundos]. Fora isso tinha as funções de filme, TV [programas gravados, claro], músicas, jogos [daí o controle remoto virava um joystick], diário de bordo e alguns outros) e comi um peixe de jantar. Um peixe não, 1/20 de peixe, porque veio tão pouco que eu acho que compraram duas postas de cação pra classe econômica toda. Assisti O Caçador de Pipas e não consegui dormir, então tirei algumas fotos, ouvi música, fiz 55549 pontos no Tetris e fiquei esperando. Acho que durante toda a noite dormi uma hora. Quando estávamos sobre as nuvens e era bem de noite, só com a luz da Lua (que ilumina muito! Muito!), percebi como era perigoso estar naquela altura inventando de voar (pessoas, claro, não foram feitas para voar), daí até assustou um pouco. Amanheceu, passamos sobre Portugal, Espanha, França, Bélgica e enfim Holanda. Quando o avião desce, dá uma vertigem forte, impressionante. Aterrissamos (e nesses últimos momentos eu lembrei de novo do perigo que era brincar de voar) e em torno das 11h (GMT +1) cheguei no Schinphol Amsterdam Airport, que é grande, muito grande mesmo. Se não estou enganado são 5 grandes pátios e acho que mais de uma centena de portões. Me achei no mapa, tirei umas fotos e passei na imigração sem nenhum problema. Daí saí num lugar bem menos lotado (o pátio onde ficava meu portão de chegada estava muito lotado) e fiquei olhando os preços das coisas nos free shops. Aliás, aquilo parecia um shopping center, tal o número de lojas e o tamanho delas. Quando subi num restaurante pra poder tirar uma foto com um ângulo melhor apareceu uma funcionária pra saber o que eu estava fazendo. O aeroporto em si é muito fera, e parece que a KLM, a empresa pela qual voei, domina grande parte dos vôos dali (ela é holandesa). Uma coisa muito boa é que parecia que todo mundo do aeroporto falava inglês, um inglês bem fácil de entender.

Controle \'remoto\' bombril

Um dos pátios do Schinphol Airport, Amsterdam

Fiquei esperando na frente do meu portão de embarque, sendo que o vôo estava marcado para as 14h40. Na espera ouvi zilhões de chamadas do tipo ‘Mr. Idiot, you are delaying the flight. Please go to the gate X…’. Daí meu portão mudou de última hora, e tive que sair andando também (o que não foi um problema pois já tinha me localizado). O vôo pra Praga foi feito pela Czech Airlines num Boeing 737, bem mais simples que o outro (duas fileiras com 3 poltronas cada; fiquei na janela da esquerda de novo, um pouco à frente da turbina). Comi um lanchinho e caí no sono. Quando acordei, o avião já estava bem próximo do solo para aterrisar, então não senti o efeito montanha-russa de novo. O vôo no total durou 1h30, e acho que não atrasou muito apesar de termos atrasado uns 20 min para decolar. Saí do avião e fui seguindo as placas até chegar na esteira onde se pega a bagagem. Demorou um pouquinho mas peguei, e fui saindo, saindo… até que apareceu um cara do controle de fronteira e perguntou alguma coisa que não entendi nada. Disse um ‘english, please’ e ele falou pra passar as malas no raio X. Outras pessoas que eram da República Tcheca não foram paradas, porque estava na cara que eles eram tchecos. Passei as malas no raio X e o cara pediu pra abrir e mostrar as coisas. Isso foi uma bosta porque tive que tirar pelo menos a metade de cada uma delas, e depois foi um saco colocar tudo de novo. Feito isso, fui saindo e vi a Jenny esperando (estava na cara que era ela). Daí uma mulher que também foi parada e teve que mostrar a bagagem veio me perguntar se a imigração tcheca tinha carimbado meu passaporte. Disse que não e ele perguntou por quê. Sei lá eu porra! (Depois entendi que na União Européia só é necessário fazer um controle, e no nosso caso ele foi feito em Amsterdam). Encontrei a Jenny, que se mostrou muito simpática desde o início. Tem um inglês bem bom, dá pra entender tranquilo. Pegamos um ônibus, e depois pegamos outro, e depois um metrô e depois outro ônibus pra chegar na minha nova casa. Apesar de parecer sofrido, o caminho foi bem fácil, porque o transporte público aqui em Praga é bastante bom. Ele é baseado em metrôs (3 linhas que cruzam a cidade), ônibus e ‘trams’, que são nada mais nada menos do que bondinhos que passam nas ruas. Para usar o transporte é necessário um bilhete que permite um determinado número de baldeações e tem um limite de tempo. Quando você entra no primeiro transporte, você deve carimbar o bilhete numa máquina, o que coloca a hora que você começou a viagem. Se te pedem, você tem que mostrar o bilhete. Aposto que um monte de gente anda sem bilhete, pois não vi ninguém perguntando por bilhete em nenhum lugar. Se você anda sem bilhete válido, a multa é de 700 CZK.

Nuvem random entre Amsterdam e Praga

Chegamos em casa e vi o lugar. Parece muito bom (cama, escrivaninha, cadeira, guarda-roupa, aspirador de pó, máquina de lavar roupa, geladeira, fogão, torradeira, mesa de jantar e varal incluídos!), e vou dividir um quarto bem espaçoso com um indiano muito gente boa. O chão é acarpetado pro ambiente não ficar frio. Dentro do flat não faz frio (por incrível que pareça), pois as janelas e portas são vedadas e não passa ar quando elas estão fechadas, e tem um aquecedor à gás pra dar conta do frio no inverno. Deixamos minhas malas, e como estava tendo uma reunião do comitê da AIESEC, lá fomos. A reunião foi na Universidade de Economia de Praga. um pequeno conjunto de prédios bem massas por dentro. Era reunião de despedida do EB, então ela foi meio longa. Conheci bastante gente, e só não entendi o inglês de duas pessoas. Falei durante 2 minutos no máximo só pra me apresentar. O pessoal foi pra um bar beber depois, mas decidi ir pra casa porque no dia seguinte tinha bastante coisa pra fazer (e eu estava pregado, tinha dormido muito pouco durante os vôos). Na reunião encontrei o indiano (que se chama Vaibhav, ainda tenho que decorar este nome) e estávamos voltando pra casa. Como eu não tinha bilhete, tínhamos que comprar um no tram em que entrássemos. E quem disse que estavam vendendo bilhetes nos trams? Tentamos em 3 ou 4, mas nenhum deles tinha pra vender. Então tivemos que ir pra uma estação de metrô pra comprar, mas quem disse que sabíamos como chegar lá? Sorte que tínhamos um mapa e depois de andar um pouco no frio (que frio da porra!) encontramos a Hlavní Nadrazí (ou algo assim), que é o nome da estação. Comi uma baguete pra trocar o dinheiro por moedas e fomos lá na máquina pra comprar o bilhete. Esta estação de metrô faz conexão com uma estação internacional de trens, muito legal. Pegamos um metrô e o Vaibhav me mostrou o caminho que eu tinha que fazer pra chegar na universidade no dia seguinte, onde eu ia encontrar a Jenny. Andamos mais um pouco no frio até acharmos todos os lugares e então pegamos um metrô pra casa. Ufa, chegamos perto da meia noite e fiquei arrumando minhas coisas até perto da uma hora (minhas malas estavam feitas ainda), enquanto o Vaibhav cozinhava alguma coisa. Jantei e dormi fácil.

Hall do flat em Rajská Zahrada

Hoje acordei 8h45 e continuei a arrumar as coisas, decidindo o que colocar em cada lugar e o que deixar guardado. Às 11h15 cheguei no lugar que tinha combinado com a Jenny, depois de ter pegado metrô e tram sozinho. Ela chegou e fomos pra polícia pra eu me registrar, porque todo estrangeiro que vai ficar mais do que um período random na República Tcheca tem que se registrar em até 3 dias depois da chegada. Erramos o lugar mas depois acertamos, e tinha nego saindo pelo ladrão de tão lotado que estava (ok, nem tanto, mas tinha bastante gente). Depois de entender como aquilo funcionava, vimos que não íamos conseguir uma senha para hoje, então fomos fazer outras coisas (o registro ficou pra amanhã, tenho que encontrar a Jenny na estação de metrô Florenc às 5h30, cedinho da silva). Pra evitar comprar bilhetes individuais, compramos um bilhete que vale por 90 dias e permite fazer quantas baldeações eu quiser (ou conseguir heheheh). Custou 1480 CZK, o que dá em torno de R$ 178 (usando R$ 0.12 = 1 CZK, que é a cotação que valeu pra mim depois de trocar meus reais por coroas tchecas). Ou seja, barato se comparado com os preços brasileiros. Depois fomos nas lojas da O2 e da Vodafone, duas das três operadoras de celulares daqui. Decidi que vou ter um celular pós-pago da Vodafone, o que sai bem barato (40 minutos grátis em ligações para outros celulares Vodafone, um trocado por cada mensagem e um preço bem alto pra ligações pra celulares de outras operadoras; creio que é o melhor plano para mim, pois a Jenny tem um número da Vodafone e se eu precisar de alguma ajuda, é pra ela pra quem vou ligar). Não comprei o simcard porque precisava ter endereço fixo, e para comprovar isso é preciso antes eu me registrar na polícia. Isso vai ficar para amanhã também. Trocamos meus euros por coroas tchecas (claro que, logo após trocar, encontramos outra casa de câmbio que pagava um pouco a mais, mas não esquentei por isso =) e voltamos para a universidade para almoçar no bandejão de lá. Lá a pessoa deve escolher o prato dentre 5 ou 6 opções, e depois pegar a fila e pegar o prato depois que a cozinheira montá-lo. Era pouca comida mas era boa, um pouco apimentada mas comi sem problemas. Depois passamos no escritório da AIESEC, que fica no mesmo prédio e encontrei a outra trainee coordinator, cujo nome completamente esqueci. Lembro que ela também fala um inglês bom, então está ótimo. Fomos para minha casa e passamos num mercado, e a Jenny explicou como ele funcionava. Tudo igual aqui, exceto alguns detalhes. Quando você compra pão, tem uma máquina barulhenta pra cortá-lo (depois tento tirar uma foto). Quando você pega frutas, você coloca na balança, seleciona a fruta que você pegou e cola a etiqueta impressa no saquinho. Também tenho certeza que tem gente que coloca mais coisas no saquinho depois de pesar… Talvez haja outras diferenças, mas não reparei. Não tinha roupas neste mercado (eles vendem roupas nos mercados aqui, roupas de boa qualidade), isso vai ficar pra amanhã também. Mas as roupas que tenho são suficientes para me manter, essas que pretendo comprar são para o inverno seguinte, já que agora é começo de primavera e as roupas de frio devem estar em promoção. Comprei umas coisas e voltamos pra casa para eu continuar arrumando tudo, desta vez até terminar. A Jenny me deu um welcome kit que tinha um mapa de Praga, umas bolachinhas, um chocolate (que já era) e só. Chegaram os outros trainees deste flat, a Carolina e o Lorenzo, ambos italianos. Parece que a Carolina está de saída ainda este mês e o Lorenzo também não tarda a sair. Ela é bem gente fina e conversa muito bem, já ele não apareceu muito. Jantamos uns vegetais cozidos com atum e vim pra cá escrever. Uma coisa deste flat é que a internet está disponível no prédio, mas ninguém daqui contratou o serviço. Vi que tem um vizinho com rede wireless cujo sinal chega bem forte aqui, acho que vou falar com ele pra rachar a internet. Senão eu mesmo assino o serviço e pronto, melhor do que ficar sem.

Amanhã vou na polícia me registrar, depois vou comprar o Vodafone chip e vamos ver o que mais dá tempo de fazer. Só vou na empresa na sexta, um dia depois do esperado, pra evitar ficar super cansado. A Katarina vai me levar lá (mina com jeito de brava, tá louco… mas é a que fala inglês melhor). Até mais!